sábado, 19 de maio de 2018

VIDA EM PRETO E BRANCO

 
                                     Vida em preto e branco

              Olhei a antiga foto em preto e branco, levemente amarelada, e adentrei em sua profundidade. Lembrei-me de um fato contado por minha mãe e comentado por muitos, durante à minha infância que ficou gravado, nas paredes de minha memória.
              Adélia, tinha uma família  grande: três rapazes, homens feitos, duas moças e um adolescente. O senhor Raul,  pai dos seus filhos, dono das terras e o senhor da escrava branca: A esposa, moída, deprimida e  anulada. Seu ofício, sem  nunca tirar o avental: “Governanta do lar”.   Sua rotina: Cozinhar, passar, lavar, cozer, limpar, bordar, tirar as botas do patrão, tirar a própria roupa, e, fazer, fazer, sem si satisfazer. Sempre, cabisbaixa, submissão e omissão do seu eu. Vida metódica e enfadonha.
              Na hora certa: mesa posta, servindo à família que esbanjava felicidade... Todos alegres e  saudáveis. Após as refeições, uma filha cantava, o mais novo tocava violino, orgulho do pai, o senhor.
              Até, a chegada dele: Eduardo Nogueira, contratado pelo senhor Raul, para registrar em fotos o dia a dia  da família..  Eduardo, o retratista, achou por bem reunir a todos  para uma foto. Àquela foto que seria a capa do álbum.
Adélia, negou-se a participar. Apresentando várias desculpas, dentre elas,  o seu cuidado com o jardim. Delicadamente, o profissional insistiu para que participasse. Perguntou-lhe Adélia: – Posso ficar como estou? Esperava escapar da foto, por está de avental e mãos sujas  de terra. O homem falou sorrindo: –  A senhora está sempre bem!
Diante disso, atendeu ao apelo de Eduardo.  Enfim, a escrava branca, deixara de ser invisível.
O profissional conseguiu  registrar a presença de Adélia em família, mesmo que cabisbaixa, corpo de lado e  de costas,  para o senhor da casa.
              Terminado o trabalho  fotográfico, o senhor Raul ofereceu um grande jantar de despedida. A mesa estava farta; os filhos dançavam, tagarelavam, cantavam, a música inundou o ambiente, até tarde da noite
               Comumente, ao amanhecer a mesa estava posta, sem que nada faltasse, exceto, a dona da casa que, continuava de avental empenhada nos seus afazeres domésticos. Porém, naquela manhã, todos acordaram mais tarde, só então,  perceberam o inusitado: Tudo estava como fora deixado, após o grande jantar da noite anterior: Pratos, copos, taças e garrafas, sobre à mesa.
Inutilmente, chamaram por Adélia... O retratista a levou para que,  finalmente, conhecesse a vida colorida.
A escrava branca,  jamais voltou!

sábado, 14 de abril de 2018

O AMOR SEMPRE VENCE

O AMOR SEMPRE VENCE
Conto de NATAL




O Natal é uma festa de encantos, e a alegria natalina é contagiante.
Um garotinho que contava os seus  sete anos de idade, ansiava a chegada do Natal. Todos os dias perguntava: – Mamãe, quantos dias faltam para o Natal?
A mãe  do menino lhe respondia, pacientemente. A cada dia Gustavo fazia a contagem regressiva dos dias que faltavam, para àquela data tão esperada contando nos seus dedinhos. Desejava ganhar o presente, que pedira aos seus pais: "O homem aranha". Disse, para a sua mãe: – Mamãe,  eu quero que você coloque o meu presente em um papel  bem bonito... Ah! E um bonito cartão!
– Está bem, está bem...  Mas,  Gugu...Temos visitas, filho!
– Vovô, vovô... O Natal está chegando, vozinho!...
– É verdade, Gugu! E, o que você quer ganhar no Natal?
Perguntou-lhe o  avó.
 – A mamãe e o papai vão me dar o “homem aranha”... Não vai ser legal, vovó?
Os avós riram ao verem o entusiasmo e a ansiedade do netinho, que tagarelava, sem parar...  Eufórico, perguntou aos avós: – Posso ter uma "Àrvore de Natal", com pisca-piscas, bem brilhantes?
Os avôs, seguidores de uma rígida e tradicional religião, entreolharam – se  e  ficaram em silêncio... Gustavo insistiu: – O meu Natal vai ser ruim, sem pisca-piscas... vozinho...
No dia seguinte, o avô  voltou trazendo-lhe dois jogos de pisca-piscas, e uma linda estrela que piscava de várias formas e cores... Sem que Gustavo percebesse... Instalou-os e chamou o netinho, que não conteve a alegria e emoção de ver o seu desejo realizado
Os avós perceberam a importância de esquecer os dogmas criados, por homens, em prol da alegria de uma criança.
Contemplaram os olhinhos brilhando de felicidade do seu netinho.
Gugu olhou para o seu avô, pegou-lhe a mão e disse: – Muito obrigado, vovô... esse vai ser o melhor Natal da minha vida!

Certamente, esse fato ficou gravado, em sua memória, até quando adulto. 
– Jamais, devemos frustrar o encanto, ingenuidade e a alegria de uma criança.
Nada, é  mais forte do que o amor... Esse, sempre vence!



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FATOS QUE FAZEM A DIFERENÇA

FATOS QUE FAZEM A DIFERENÇA

Parece-me que foi ontem... Revivo lembranças de pequeníssimas coisas; acontecimentos do meu cotidiano em família que o tempo, não apagou. Fotos que me trazem à memória, alguns fatos do meu passado...  Sou álbum vivo! 

Lembro-me da minha primeira cartilha colorida, com animais e nomes em letras garrafais; meu primeiro talher, a minha primeira caneta tinteiro, presentes do meu pai.
A minha  professora, muito brava! Temida por todos. A solteirona, de nome, Alzira. De quadris muito  largos. Usava  vestidos de saia godê,  cintura marcada, por um cinto muito apertado e fino, que fazia os seus quadris saltarem...  Eu me perdia em pensamentos... olhando-a  e me perguntando: 
– C
omo pode essa cintura ser tão fina  e essa bunda tão grande?

Ao invés de fazer os meus deveres de classe, desenhava o que eu chamava de professora Alzira... E, caprichava na bunda. 

Certa vez, ao  desenhar aquele corpo intrigante percebi,  alguém bem coladinha as minhas costas... Arrepiei-me, da cabeça aos pés... a 'própria'  observava o que eu  fazia.  Bateu na minha carteira, com à sua régua de madeira...enoorme!
– Ah, lhe peguei!
Gritou,  irritada.
– É esse o seu dever?
Fiquei petrificada! Colocou-me em pé, cheirando à parede,  até o final das aulas. Quando a mamãe chegou... “a quartuda” contou tudo!

A mamãe, muito brava, perguntou-me: – O que você estava fazendo menina?  Respondi-lhe: 
A professora, mamãe...  Estiquei o braço entregando o desenho da malvada professora, para à minha mãe.
Pensei:
– A
gora, vou apanhar!
Surpresa! Vi  a mamãe sorrir, sorrir, dobrar-se sobre a própria barriga, quase perdendo o fôlego, de tanto rir... E, cada vez que olhava  a minha obra de arte, voltava a sorrir. Até chegarmos em casa, aqui, acolá... mamãe sorria, sorria, e eu não entendia nada!

Quantas lembranças boas... 



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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quem sou eu

Minha foto
Baronesa da Gothia Rogessi de A. Mendes (EstherRogessi). Pernambucana, outorgada com Título Nobiliárquico - Alta Insígnia BARONESA DA GOTHIA da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, DAMA COMENDADORA da Real Ordem dos Cavaleiros e Damas Rei Ramiro de Leão. Comendadora pelo CONINTER ARTES.. Escritora UBE/SP; Embaixadora da Paz (FEBACLA); Artista plástica, Membro Correspondente de várias Academias de Letras e Artes Nacionais e Internacionais. Consulesa e Comendadora. Tem escritos publicados em Antologias e Revistas Virtuais, no Brasil e exterior. Publicou o seu primeiro livro solo, pela Editora Literarte intitulado "Conflitos de uma alma" Romance ISBN 978-8-5835200-8-5 EstherRogessi recebeu várias premiações nacionais e internacionais.

Tesouros Escondidos...