sexta-feira, 15 de outubro de 2010

POESIA MARGINAL

Como surgiu a Poesia Marginal?
Qual o conceito de Poesia Marginal?
Qual o objetivo e/ou objetivos?

Na época da Ditadura - anos 70 - a repressão política conduziu poetas e escritores a busca de um poetar livre: da censura, da estruturação erudita, da repressão política, etc.
Dessa forma, surgiu a alternativa de se expressar os múltiplos sentires, com sabedoria e objetividade; fez-se surgir uma poética – por assim dizer – irreverente, porém, não menos poesia. Certamente, que esses poetas, revolucionários, se faziam entender bem.

Hoje, há quem conceitue o movimento como que simplesmente “Cultural.” Diante da necessidade momentânea da época, conceituo - a este - como que: “Movimento Revolucionário Cultural.” Cujo objetivo principal é a denúncia – diante do autoritarismo de um governo ditador, repressor.

Nessa mesma linha de pensamento - a denúncia - poetizou Castro Alves, a favor dos escravos, indo de encontro aos escravagistas da época. Porém, o conceito de Poesia Marginal, no ponto de vista contemporâneo, deve-se ao fato de essa poesia ter sido artesanal: publicada em panfletos e/ou livretos mimeografados e organizados como que livros, grampeados ou não; declamados nas praças, calçadas e vendidos livremente, tais como, os nossos cordéis, nas feiras livres,praças e guetos. Longe dos editores e de suas políticas financeiras “sangues-sunga,” que escravizam - há poucas exceções – o artista e si enriquecem com às suas artes.

Observemos a Poesia Marginal, como que, um “movimento revolucionário literário,” centrado em dois objetivos: a denúncia contra a repressão e todos os males oriundos dessa, e o protesto concernente ao encarecimento dos impressos. Era inviável a possibilidade de os poetas e escritores da época ter às suas obras impressas, tanto quanto, de os leitores terem acesso as mesmas.
Diante desse fato, lembremos de uma paixão nacional que, hoje, segue essa mesma linha - a música -. Onde o império da pirataria, “quebrou” a muitos: cantores e produtores, pelo alto custo cobrado pelos CDs. A pirataria - em parte - tem a ver com um dos objetivos da poesia marginal. Possibilitou a maioria a oportunidade de poder ter acesso a música - de forma incorreta, diga-se de passagem -. Educação e Cultura são de total relevância para uma nação, não só para a minoria – abastada.

Os principais nomes da Poesia Marginal - fins da década de 60 – na época foram Paulo Leminski, Francisco Alvim, Cacaso, Ana Cristina César e Ricardo Carvalho Duarte (Chacal). Carioca, nascido aos 24 de maio de 1951.

Aos 31 anos de idade a poetisa e redatora de jornais Ana Cristina César se suicidou no ano de 1987; aos 41 anos de idade faleceu o poeta Cacaso, por problemas cardíacos, no ano de 1987; após dois anos, em 1989 faleceu Paulo Leminski admirador e experimentador da linguagem concretista.

“Eu hoje acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara
só existe um segredo
tudo está na cara”
(Paulo Leminski)

Fogo-Fátuo

Ela é uma mina versátil
O seu mal é ser muito volúvel
Apesar do seu jeito volátil
Nosso caso anda meio insolúvel

Se ela veste seu manto diáfano
Sai de noite e só volta de dia
Eu escuto os cantores de ébano
E espero ela chegar da orgia

Ela pensa que eu sou fogo-fátuo
Que me esquenta em banho-maria
Se estouro sou pior que o átomo
Ainda afogo essa nega na pia.

(Chacal)
Publicado no livro Nariz aniz (1979).
In: Chacal. Drops de abril. São Paulo: Brasiliense, 1983.p.71
(Cantadas literárias. 16)

EstherRogessi.Poesia Marginal, Imagem Web. Art By EstherRogessi.Fonte de Pesquisa Web. 15/10/10


Creative Commons License
This obra by Attribute work to name is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License</</body>

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Minha foto
Baronesa da Gothia Rogessi de A. Mendes (EstherRogessi). Pernambucana, outorgada com Título Nobiliárquico - Alta Insígnia BARONESA DA GOTHIA da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, DAMA COMENDADORA da Real Ordem dos Cavaleiros e Damas Rei Ramiro de Leão. Comendadora pelo CONINTER ARTES.. Escritora UBE/SP; Embaixadora da Paz (FEBACLA); Artista plástica, Membro Correspondente de várias Academias de Letras e Artes Nacionais e Internacionais. Consulesa e Comendadora. Tem escritos publicados em Antologias e Revistas Virtuais, no Brasil e exterior. Publicou o seu primeiro livro solo, pela Editora Literarte intitulado "Conflitos de uma alma" Romance ISBN 978-8-5835200-8-5 EstherRogessi recebeu várias premiações nacionais e internacionais.

Tesouros Escondidos...