domingo, 7 de novembro de 2010

LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA

Esta abordagem objetiva a explicitação da necessidade de publicações textuais e personagens infantis afro-brasileiros, afro-indígenas.., enfim, que cada criança possa ter os seus heróis, também, na sua própria etnia.

Por que um dos mais conhecidos e populares personagens infantis negros - O Saci Pererê, denota o mal e retrata a deficiência, como que, algo cômico?

Faz-se necessário haver mudança na Literatura Infantojuvenil Brasileira, concernente aos personagens tradicionais da literatura infantil e/ou infantojuvenil.
As nossas crianças afro-brasileiras necessitam de personagens afro, tanto quanto, de personagens indígenas.

Por que a Branca de Neve além de branca ainda é Neve? Por que as princesas são sempre brancas...?

Uma criança chegou para os seus pais e disse: Não posso ser a princesa na peça teatral da minha escola... As princesas são brancas.

Foi preciso uma exaustiva busca nas prateleiras das nossas livrarias, por livros que tivessem personagens afro-brasileiros na nossa literatura infantil, para que àquela criança tomasse consciência da beleza e importância da sua negritude, sem que sofresse sequelas. Fato que deve começar a ser trabalhado desde a escola.

Em verdade tenho me interessado bastante em conhecer e me aprofundar em tudo quanto diz respeito às nossas raízes. Tenho participado de seminários, oficinas, palestras, cursos e minicursos, com abordagens na cultura afro-brasileira, afro-indígena, tanto quanto da África lusófona.

Certo é que, temos alcançado um relativo progresso concernente a educação anti-preconceituosa do nosso povo. Não podemos negar que as marcas dos seus sofridos passados, persiste. Marcas repassadas em forma de histórias contadas pelos griôts, aos seus descendentes, das quais, hoje, temos conhecimento - o que ressalta a importante tarefa desses sábios anciãos.

Nesses anos a literatura infantojuvenil brasileira tem prosperado, isso é fato.Porém, falta divulgação, por isso, a narrativa sobre a dificuldade de se encontrar o citado material literário.

Entre tantos autores maravilhosos temos a Ana Maria Machado com Menina bonita do laço de fita – bela literatura infantil, porém, trago a tona as marcas do passado, das quais, falei anteriormente, dessa feita, através do depoimento de uma educadora que, quando em sala de aula lendo o citado livro, percebeu o quanto o preconceito e as marcas oriundas desse, se faz presente. Exponho parte do seu texto, ao estimular a sala à leitura:
“...Gente, hoje trouxe um livro, do qual, gosto muito. E, quero ler para vocês!” E assim, comecei a fazer a leitura do livro Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado, e, cada página que eu avançava na leitura tinha uma aluna que se contorcia ou se mexia , que demonstrava seu desagrado diante de tal escolha da leitura. Em um determinado momento, já quase do meio para o fim da leitura, a aluna falou, lá de sua cadeira: “Oh professora, eu não gosto desse livro não!” Logo ela, que amava todas as leituras que eu realizava, que estava descobrindo a leitura naquele ano, ela, representante dos afro-descendentes, vir com aquela fala... Mas eu não me intimidei e não fiz o que me pedia, continuei a ler até o fim, mesmo vendo-a fazer caras e bocas. Quando terminei de ler, ela adorou, não a história, mas o fato de não precisar mais ouvir aquela história “chata”.
Depois desse relato, faço algumas observações ou tiro algumas pré-conclusões, ou melhor, faço minhas leituras a respeito do comportamento da criança diante da leitura do livro: acredito que grande parte do desconforto da aluna ( 4º ano , 9 anos de idade) vem da sua cor, pois o livro faz menção a uma criança negra, pretinha e ela é a única criança negra na nossa sala, ou era até o ano passado. Hoje contamos com um menino também; toda vez que lia os porquês do livro explicando por que/ como ficar pretinho todos a olhavam e aqueles olhares lhe causaram mal estar, ela se sentia incomodada, pois, ali se sentia não como representada, como exaltada, mas como a diferente da sala, a negra, inferiorizando-se, já que não se assume enquanto afro-descendente.
Uma outra leitura que pode ser feita também é que ela não se identifica como a menina bonita pretinha, ela se nomeia morena clara, quando questionada sobre sua cor, logo não se identifica como afro-descendente; não se vê representada naquela história, naquelas imagens...”

Diante de todas as conquistas, das quais, temos conhecimento nesses anos, podemos com certeza aplaudir a iniciativa governamental, quando no início do ano de 2003, o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecendo a importância das lutas antirracistas dos movimentos sociais negros, reconhecendo as injustiças e discriminações raciais contra os negros no Brasil e dando prosseguimento à construção de um ensino democrático que incorporasse a história e a dignidade de todos os povos que participaram da construção do Brasil, alterou a Lei nº 9.394/96
- que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional -, sancionando a Lei nº10.369/03. A Lei nº 9.394/96 passou a vigorar acrescida de artigos que incluem as seguintes diretrizes:

• Art.26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e
particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira.

• §1º. O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

• §2º. Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão
ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de
Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

• Art.79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como "Dia
Nacional da Consciência Negra".

A referida Lei propõe reflexões relevantes para a implementação de ações
educacionais que busquem a superação do racismo e a valorização da população
afrodescendente. Acredita-se que, uma vez alcançados os objetivos previstos nesta legislação, seus efeitos poderão repercutir em toda a sociedade, podendo transformá-la em uma sociedade mais igualitária.

EstherRogessi, Escritora UBE Mat.3963. Fonte de pesquisa Web: jahelina almeida http://www.webartigos.com/articles/46921/1/OLHO-MAS-NAO-ME-RECONHECO-A-CRIANCA-NEGRA-NA-LITERATURA-INFANTIL/pagina1.html#ixzz14cPMhBIi;
RUTH CECCON BARREIROS (UNIOESTE - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ).


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Baronesa da Gothia Rogessi de A. Mendes (EstherRogessi). Pernambucana, outorgada com Título Nobiliárquico - Alta Insígnia BARONESA DA GOTHIA da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, DAMA COMENDADORA da Real Ordem dos Cavaleiros e Damas Rei Ramiro de Leão. Comendadora pelo CONINTER ARTES.. Escritora UBE/SP; Embaixadora da Paz (FEBACLA); Artista plástica, Membro Correspondente de várias Academias de Letras e Artes Nacionais e Internacionais. Consulesa e Comendadora. Tem escritos publicados em Antologias e Revistas Virtuais, no Brasil e exterior. Publicou o seu primeiro livro solo, pela Editora Literarte intitulado "Conflitos de uma alma" Romance ISBN 978-8-5835200-8-5 EstherRogessi recebeu várias premiações nacionais e internacionais.

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