terça-feira, 18 de maio de 2010

A Morte da Vida. (Crônica)

ESTE É O QUADRO DO RIO JABOATÃO DURANTE O VERÃO.. RETRATO DO DESCASO DOS POLITIQUEIROS


Fria tarde de inverno...
Do primeiro andar do meu aposento, olho através da janela e na paisagem encontro alento.
Atentamente tudo observo: pássaros voam no céu de cor cinza; outro beberica das águas barrentas do rio, que descem caudalosamente arrastando as impurezas da sua impura superfície.
Às águas bailam, gingam, indo de encontro às pedras, explodindo em chuviscos...
Homens pescam com suas redes. Procuram pequeníssimos peixinhos para lhes matar a fome, aproveitando a época hibernal – quando às águas da represa são liberadas, pelas chuvas torrenciais, no início do inverno. Assim, a barragem local, pode conter às muitas águas, que ainda virão durante todo o período.

Sim, logo ali, ao alcance dos meus olhos passa um rio. Um rio temporário, pois, o progresso que chegou a cidade, através das fábricas o contaminou. E o rio que no passado – dizem os mais antigos do lugar, ter sido um lindo rio de águas límpidas, no qual, lavadeiras se assentavam por sobre as suas pedras, para lavar roupas de ganho (ajuda para o sustento da família), e assentadas, com suas crianças abriam as latas de leite vazias, que usavam para armazenar o alimento, que lhes mataria a fome (farinha de mandioca com carne-seca), molhavam a farinha na água pura e fria do rio, fazendo bolos, comendo-os e alimentando as suas crianças –, era digno de ser chamado: Cartão Postal de Jaboatão Velho dos Guararapes- PE. Hoje, se transformou em rio temporário. E, durante o verão exala o mau cheiro, proveniente dos dejetos das fábricas; as ratazanas vagueiam sobre o seu solo rochoso a cata de alimentos, oriundos do lixo que muitos jogam ponte abaixo, sem que haja conscientização do grande mal que estão causando a eles próprios e aos demais.

A morte do rio Jaboatão – na cidade de Jaboatão dos Guararapes e/ou Jaboatão Velho, PE – é resultante da ação de homens, que dão mais valor ao dinheiro do que a preservação da natureza. Transformando uma fonte de vida em morte iminente.




Esther”Rogessi”.Crônica: A Morte da Vida. Categoria: Narrativa.Imagens: EstherRogessi.
22/04/09.
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Baronesa da Gothia Rogessi de A. Mendes (EstherRogessi). Pernambucana, outorgada com Título Nobiliárquico - Alta Insígnia BARONESA DA GOTHIA da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, DAMA COMENDADORA da Real Ordem dos Cavaleiros e Damas Rei Ramiro de Leão. Comendadora pelo CONINTER ARTES.. Escritora UBE/SP; Embaixadora da Paz (FEBACLA); Artista plástica, Membro Correspondente de várias Academias de Letras e Artes Nacionais e Internacionais. Consulesa e Comendadora. Tem escritos publicados em Antologias e Revistas Virtuais, no Brasil e exterior. Publicou o seu primeiro livro solo, pela Editora Literarte intitulado "Conflitos de uma alma" Romance ISBN 978-8-5835200-8-5 EstherRogessi recebeu várias premiações nacionais e internacionais.

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